Resenha de "A vida em tons de cinza"

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sinopse: 1941. A União Soviética anexa os países bálticos. Desde então, a história de horror vivida por aqueles povos raras vezes foi contada. Aos 15 anos, Lina Vilkas vê seu sonho de estudar artes e sua liberdade serem brutalmente ceifados. Filha de um professor universitário lituano, ela é deportada com a mãe e o irmão para um campo de trabalho forçado na Sibéria. Lá, passam fome, enfrentam doenças, são humilhados e violentados. Mas a família de Lina se mostra mais forte do que tudo isso. Sua mãe, que sabe falar russo, se revela uma grande líder, sempre demonstrando uma infinita compaixão por todos e conseguindo fazer com que as pessoas trabalhem em equipe. No entanto, aquele ainda não seria seu destino final. Mais tarde, Lina e sua família, assim como muitas outras pessoas com quem estabeleceram laços estreitos, são mandadas, literalmente, para o fim do mundo: um lugar perdido no Círculo Polar Ártico, onde o frio é implacável, a noite dura 180 dias e o amor e a esperança talvez não sejam suficientes para mantê-los vivos. A vida em tons de cinza conta, a partir da visão de poucos personagens, a dura realidade enfrentada por milhões de pessoas durante o domínio de Stalin. Ruta Sepetys revela a história de um povo que foi anulado e que, por 50 anos, teve que se manter em silêncio, sob a ameaça de terríveis represálias. 

"No auge do inverno, finalmente percebi que dentro de mim havia um verão invencível." - Albert Camus


 “A vida em tons de cinza” é narrado em primeira pessoa pela personagem principal, Lina Vilkas, uma lituana de apenas 15 anos. Com um imenso talento artístico, Lina é obrigada a abandonar todos os seus sonhos e planos e acompanhar sua mãe, seu irmão e vários outros lituanos em uma viagem de trem, em condições extremamente precárias, destino a um dos gulags soviéticos na Sibéria. Lá eles passam fome, frio e cansaço, além de serem incessantemente humilhados pelos soldados da NKVD, a polícia comunista.

 São inúmeras as passagens “pesadas” deste livro, como quando um soldado soviético atira na boneca de uma menina e ela fica tão chocada que não para de falar que a boneca morreu. Isso para não citar várias outras situações piores aqui nesta resenha. Mesmo com tudo isso, é impressionante notar como a maioria das pessoas conseguiu se manter forte e ajudar umas às outras. No book trailer, a autora sugere nos questionemos se teríamos sobrevivido a tantas provações; eu assisti depois de ler o livro e mesmo assim foi o que fiz durante toda a leitura, imaginei se eu faria parte das pessoas que suportaram tudo com muita força de vontade ou das pessoas que deixaram o medo e o sofrimento falarem mais alto. Sinceramente, ainda não cheguei a uma resposta.
 Confesso que eu não fazia ideia do quão horrível e devastador havia sido o “reinado” de Stalin, eu tinha uma vaga noção, mas não sabia que seu regime havia matado mais 20 milhões de pessoas. Estamos acostumados a ouvir histórias sobre Hitler e suas barbaridades, mas esta é uma história poucas vezes comentada. Este foi um dos aspectos que mais me agradaram na leitura, me trouxe um conhecimento que eu não tinha e desde que terminei de ler o livro comecei a pesquisar mais sobre o assunto e não paro de me assombrar com tantas atrocidades.
 Lina é uma personagem muito bem construída, com opiniões fortes e muita determinação. Consegui criar uma empatia muito intensa com ela, talvez pelo fato de ela ter a mesma faixa etária que eu, e estar passando por essa fase onde estamos cheios de metas e planos para o futuro. Em meio a tantos percalços ela até vive um romance, um fator que torna o livro ainda mais bonito e emocionante.

 Mesmo com uma história tão intensa, é uma leitura muito rápida. O trabalho editorial foi excelente, o livro é lindo. 

 “A vida em tons de cinza” é muito mais do que um livro triste, é a história de um povo corajoso e cheio de esperança, que não se deixou abater e que, como diz a autora, nos mostrou que o amor é a mais poderosa das armas.


Book trailer (sugiro que assistam este lindo relato da autora, só o vídeo já emociona).

4 comentários:

Vanessa Vieira disse...

Parabéns pela resenha Déia! Estou ansiosa para ler A Vida em Tons de Cinza! Beijos!

Débora Renata Cavalcanti disse...

Não é muito meu tipo de leitura. Mas eu gostei ^^

Parabéns pela Resenha.

Feliz ano novo!!!

Jacqueline Braga Fayão de Andrade disse...

AI que lindo, parece ser bem emocionante este livro, gostei da resenha.
Bjos

Jack
www.mybooklit.blogspot.com

Cacá disse...

São boas suas resenhas, parabéns!

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